
Sob um céu de nuvens paradas, São João do Paraíso dá a impressão ao visitante de que está em eterno repouso. Enquanto se caminha pelas plácidas ruas de paralelepípedos desse pequeno distrito de Cambuci, a 295 Km do Rio, é possível esquadrinhar, no típico cenário do interior, o velho coreto da praça e uma acanhada construção que, num primeiro momento, só se destaca pela simetria e equilíbrio de suas linhas. É nesse simplório casarão que funciona o melhor colégio público do estado. — A gente só foi criando paciência — diz pausadamente, com todo-o-tempo-do-mundo, Obede de Souza, de 46 anos, diretor do Colégio Oscar Batista, localizado numa região rural acostumada a criações. — Aqui tem muita criação de gado e plantação de tomate — lembra. Também é preciso se render ao tempo e à paciência quando se quer chegar a São João do Paraíso. A regra vale não só para os alunos que moram nas afastadas roças e, em dias de chuva forte, não podem contar com o ônibus escolar. Há duas semanas, o EXTRA foi conhecer essa história de sucesso. Depois de cinco horas de viagem pelo asfalto da BR-116 e mais 40 minutos por uma estradinha de terra, a reportagem foi recebida por Obede com cafezinho, água e lanchinho. — Pode parar com esse negócio de pressa — diz ele, ao modo da gente do interior, freando a primeira pergunta do repórter. O jeito foi dormir em Cambuci e voltar no dia seguinte. A visita não foi à toa. Os resultados obtidos pelo Colégio Oscar Batista em avaliações externas impressionam pela evolução. Em 2007, na prova do Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb) relativa ao biênio anterior, a escola obteve a nota (baixíssima) 3,3 — bem abaixo, por exemplo, da média da Região Norte e Noroeste Fluminense, que girou em 4,5. Dois anos depois, em 2009, nova avaliação e, desta vez, a nota pulou para 7,4, alçando a unidade ao nobre ranking de três melhores escolas do Brasil. O que mudou? — Depois que ficamos com a nota 3,3, passamos a ser considerados escola prioritária e recebemos mais verbas para melhorar nosso desempenho. Com isso, começamos a investir em projetos grandes, integrados à Secretaria de Educação. Percebemos que os alunos estavam se motivando mais — diz Obede. Logo quando assumiu em 2005, um dos primeiros passos da nova direção foi mudar a mentalidade dos professores e dos alunos, apostando na integração. Na manhã do dia em que a reportagem visitou a escola, uma pequena historinha exemplifica essa mudança. Um aluno entrou na sala do diretor e, ao ver, na parede, a foto dele abraçado ao governador Sérgio Cabral, disparou: “Você está marrento, hein!”. O comentário poderia ser entendido como falta de respeito, mas a direção faz questão de dar essa abertura aos estudantes. Então, Obede riu, e ficou por isso. — Os pais não frequentavam reuniões. Havia aquela coisa de chamar a atenção dos alunos na frente de todo mundo — diz a diretora-adjunta Maria Vigo, de 54 anos, relembrando que, para atrair os pais para os encontros, a escola decidiu sortear cestas básicas. A doméstica Dionéia da Silva, de 60 anos, avalia a mudança com propriedade. Ela tem cinco filhos e três netos que estudaram ou estudam no colégio: — Melhorou muito. Meu neto Caíque repetiu duas vezes na escola anterior, mas aqui é outro. Ele soube que ganhou um notebook do estado por ter obtido boa avaliação. http://extra.globo.com/noticias/rio/escola-aposta-na-integracao-se-torna-melhor-publica-do-estado-1480262.html
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